terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eternos

Eles estavam abraçados vendo o seu último por do sol. Haviam vivido muito mais que humanos normalmente viveriam,tanto em anos quanto em aventuras.Ela ainda o olhava com os mesmos olhos de admiração que tinha quando o viu da primeira vez,voltando de uma caçada.Os seus cabelos estavam emaranhados e estava todo coberto de lama,carregando um cervo.Ela notou que o brilho dos olhos dele era diferente,algo que por mais que passasse a vida olhando,não conseguiria decifrar.Olhos de esfinge eterna.

Ele se lembra de quando entrou na taverna e a viu, e lembra como ela lhe olhava com um olhar inquisidor, curioso, incessante. Aquele olhar o prende até hoje.

E eles estavam chegando ao porto no fim da vida. Não tinham medo. Nunca tiveram realmente medo quando estavam perto um do outro. Eram invencíveis juntos. Ela sempre soube abater seus inimigos com flechas e ele a moldar a realidade a sua maneira.Lutaram grandes batalhas e viveram coisas que muitos sonham em viver.

A lua começa a aparecer por trás dele, e eles aguardam o momento certo, vivendo a existência um do outro. O ar,a pele,o coração batendo.O cheiro.É a ultima vez que vão se ver nesses corpos.Ele chora no ombro dela,que chora se apoiando nele.
E se não se conhecerem na próxima vida?E se algo der errado?Isso rasgava os seus corpos com mais lágrimas e dor.

Eles haviam queimado sua casa, suas armas foram jogadas no fundo do rio e todas as lembranças deles destruídas. Ninguém saberá que eles viveram,além deles mesmos.Nada mais o prendiam nesse mundo.

E o momento chegara. A lua se encontrava no centro do céu.Com algumas palavras,ele fez o encatamento que os juntaria na próxima vida.Ela segurava as mãos dele,que tremiam.

“Eu te encontrarei, nem que passe a vida toda procurando”-murmurou

Selaram o encanto com um beijo, e se atiraram no rio. A água encheu o corpo dos dois,mas em nenhum instante eles soltaram as mãos.E assim o oceano tragou o corpo deles.Os grande heróis esquecidos.









E no outro lado do reino, duas camponesas davam a luz na casa da parteira.
“Eu tive uma menina,vou dar o nome da minha avó para ela,Lúcia.Qual o sexo do seu?”
“É um menino”.

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